ULTRASSONOGRAFIA NA DOR TESTICULAR AGUDA

Os setores de pronto atendimento hospitalar com certa freqüência admitem pacientes com dor aguda na bolsa escrotal. No caso de trauma a avaliação consiste basicamente na verificação de hemorragia (hematocele), “fratura” testicular ou simples processo inflamatório.

De grande preocupação é a suspeita de torção testicular aguda em que o médico deve fazer o diagnóstico diferencial com processo inflamatório / infeccioso conhecido como orquite, epididimite ou orquiepididimite, e tal diferenciação deve ser o mais rápido possível, uma vez que na torção aguda o testículo entrará em sofrimento devido à escassez de irrigação sanguínea e se tornará inutilizado, em sua grande maioria, dentro do período de 12 horas do início do quadro doloroso, devendo portanto, ser encaminhado à conduta cirúrgica urológica para se desfazer o processo de torção e, assim, promover a irrigação sanguínea do testículo acometido.

A ultrassonografia consiste em ferramenta fundamental na avaliação da dor testicular aguda tornando-se o exame complementar de primeira linha. Como achados de imagem ultrassonográfica para o diagnóstico de torção podemos encontrar o testículo aumentado de volume perdendo o formato ovalado e assumindo o formato mais arredondado; torna-se heterogêneo sendo visualizado áreas mais escurecidas entremeadas a outras mais claras; pode ocorrer pequeno acúmulo de líquido em volta do testículo, conhecido como hidrocele; a pele da bolsa escrotal do lado acometido pode se tornar espessa; o cordão espermático torcido torna-se também  espesso assumindo o aspecto de massa paratesticular; e o achado que sela o diagnóstico, é quando ao acionar o recurso conhecido como Doppler na ultrassonografia, verifica-se a ausência ou redução significativa de fluxo sanguíneo no testículo, o que deve ser comparado com o lado sadio. Este último achado é praticamente patognomônico de torção e, pode, na maioria dos casos, ser a única diferença entre a torção e o processo inflamatório.